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Freguesia de Martim Longo

Freguesia de Martim Longo

Os trabalhos arqueológicos realizados na freguesia revelaram uma importante ocupação no período Calcolítico, com escassos vestígios de uma anterior presença durante o Neolítico, da qual há a destacar a Anta da Castelhana. Localizada na fronteira com o concelho de Tavira, este monumento funerário, bastante regular e com corredor, terá sido construído no período de transição do quarto para o terceiro milénio ou para os primeiros séculos deste. Posteriormente foi reaproveitado pelos “pastores megalíticos” contemporâneos do Calcolítico, período este bem marcado nos objetos encontrados na escavação.

Junto da própria aldeia de Martim Longo, os recentes trabalhos de instalação de uma antena de telecomunicações para telemóveis, puseram em evidência uma cista megalítica pertencente às primeiras populações que utilizaram o cobre nos seus instrumentos – A Cista Megalítica do Malhão. Trata-se de uma sepultura individual, de contorno sub-rectangular, que terá sido construída no Neolítico Final, ou já no Calcolítico. Possui um lageado exterior que se desenvolve a toda a volta da caixa tumular, constituída sobretudo por lages de grauvaque e algum xisto. Está parcialmente destruída devido à implantação da  antena.

Para além da Cista Megalítica do Malhão, o atual espaço da freguesia revelou outros monumentos funerários Calcolíticos, como as Tholoi e o importante povoado fortificado do Castelo de Santa Justa – implantado num cerro, evidenciando defesas naturais, foi durante o terceiro milénio a.C. ocupado por uma população agro-pastoril. Ao longo do terceiro milénio a população residente criou uma estrutura defensiva que sofreu evoluções em cinco momentos diferentes: dum simples muro com uma entrada, evoluiu, numa fase posterior de construção, para a inserção de duas das dez torres detetadas na muralha até um complexo dispositivo defensivo na 5ª fase, com uma segunda porta mais elaborada, albergando no seu interior 7 das 10 cabanas encontradas.

Esta necessidade defensiva poderia estar relacionada com o domínio das práticas metalúrgicas, tendo os seus habitantes fabricado utensílios de diferentes materiais: cerâmica, pedra, cobre, madeira, etc., que utilizaram para cultivar os campos, pescar, caçar, produzir vestuário, criar objetos votivos e construir os seus monumentos funerários, como a Tholos da Eira dos Palheiros – localizado a 1,5 quilómetros para noroeste do povoado calcolítico de Santa Justa. O monumento funerário, foi construído a partir de uma câmara circular, escavada no solo e revestida com grandes placas de xisto retangulares e coberto por uma falsa cúpula, com corredor de acesso. No interior da câmara apenas foram depositados dois enterramentos e os materiais encontrados são do mesmo tipo e cronologia dos do povoado do Castelo de Santa Justa.

A cerca de 16 quilómetros para sudeste desta tholos, foi detetada uma outra, junto da povoação do Monte da Estrada, a Tholos do Malhanito – possui as mesmas características mas o corredor é mais curto. Terá sido utilizada, muito provavelmente, apenas para a deposição de um só indivíduo sobre o chão da câmara. Terá sido violada e reutilizada na Idade do Ferro e em épocas posteriores, mais recentes.

Durante o Período Romano e Medieval ocorreu um incremento do povoamento, tal como parecem evidenciar os dados conhecidos para a aldeia de Martim Longo, sede de freguesia, existentes nos róis de besteiros dos anos de 1385/1422. Estes primeiros valores demográficos eram já significativos, quando comparados com as restantes localidades da região algarvia.

O século XVI foi um período de grande prosperidade, chegando os seus habitantes a acorrer ao litoral algarvio aquando dos rebates dos Mouros. A partir dos finais do século XVII viveu outro período de riqueza. Como curiosidade refere-se a existência de uma pequena comunidade africana inscrita na Confraria de Nossa Senhora do Rosário, que não era muito vulgar em regiões do interior.

Em 1837 a guerrilha miguelista, chefiada pelo Remexido, atacou a aldeia.

Sempre foi e ainda hoje se mantém como principal centro populacional do Concelho, ultrapassando a vila de Alcoutim.




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